Primeira composição foi 'Procurando tu', feita por Antônio Barros.

Quando encontrou Cecéu, o legado ficou ainda maior.

Antônio Barros e Cecéu em entrevista à TV Cabo Branco Reprodução/TV Cabo Branco No dia do compositor, nesta quarta-feira (15), recordar grandes mestres da música nordestina é também agradecer pelos presentes que deixaram para a cultura popular brasileira.

Antônio Barros e Cecéu completam neste ano 48 anos de cumplicidade na vida e na música.

Fizeram composições regravadas por grandes artistas, mas o grupo Trio Nordestino e a cantora Marinês lideram esse ranking com mais de 100 regravações cada.  Antônio Barros nasceu em Queimadas, no Agreste paraibano.

"Uma cidade pequena, que hoje é grande", ele considera.

Nunca teve a intenção de seguir na música, mas instintivamente pegava uma lata, começava a batucar e a improvisar qualquer coisa que o fizesse cantar.  Quando se mudou para Campina Grande, por volta dos 18 anos, conheceu mais sobre música.

Era o samba a principal referência da época.

"Não existia Luiz Gonzaga famoso, Marinês, nada disso...

Era samba e bolero", relembra.

Desde então começou a entrar na vida da música.

Ou a música começou a entrar na vida de Antônio. A primeira composição foi "Procurando tu".

Por gostar e achar engraçada uma expressão sertaneja, Antônio escreveu, sem ter a intenção de fazer tanto sucesso, uma letra que marcou gerações e é repassada aos ouvidos de hoje por qualquer trio de forró: "morena diga onde é que tu tava, onde é que tu tava, onde é que tava tu, passei a noite procurando tu, procurando tu, procurando tu".

Depois de muito tocar no rádio, a música explodiu e foi gravada, pela primeira vez, pelo Trio Nordestino. Antônio Barros e Cecéu no início da carreira Reprodução/TV Cabo Branco A composição, para Cecéu, é como um filho.

"Sai de dentro da gente com muita alma, muita dedicação, tudo de bom que existe dentro do autor, do poeta, do compositor.

A música 'Bate coração' foi a maior referência.

Mas 'Procurando tu' foi o grande sucesso", revela Cecéu. Antônio encontra a morena Algum tempo depois do sucesso estourar, chegou a morena para dar ainda mais sentido à vida de Antônio Barros.

"Aquela coisa do destino", ele conta.

Na época, quando ainda morava no Rio de Janeiro, vez em quanto ia visitar a irmã em Campina Grande, que era vizinha de Cecéu.

"Aquela morena entrava e saía da casa da minha irmã...

Aí eu perguntei quem era.

Eu era tido como 'cabra' safado e ela me respondeu para eu não me meter com ela porque Cecéu era menina direita", lembra Antônio. Mas foi justamente para o acompanhar pelo resto da vida que Antônio encontrou Cecéu.

Começaram a conversar...

Uma conversa que rendeu 48 anos de união e um legado, além de grandioso, muito especial para a música. No ano de 1976 fizeram o primeiro disco.

Nem forró, nem xote, xaxado ou baião.

O primeiro disco de Antônio Barros e Cecéu era de música romântica.

Foi a primeira vez que as portas se abriram para os dois.

A dupla foi sucesso nacional, mas o público os conheceu, primeiramente, como Tony e Mery.

Só depois é que se consagrariam como Antônio Barros e Cecéu. Antes de serem conhecidos como Antônio Barros e Cecéu a dupla de compositores e cantores eram conhecidos como Tony e Mary Reprodução/TV Cabo Branco Melodias e letras que fazem dançar  O principal responsável pelas melodias é Antônio.

As letras, embora ele seja o pioneiro, fazem sempre juntos.

"Aconteceu tanta coisa linda...

Como 'Bate coração', 'Por debaixo dos panos', 'Homem com H', 'Forró número 1'", fala, saudosa, Cecéu.  "Forró número 1", inclusive, marcou a vida dos dois.

Estavam passando uma temporada em João Pessoa quando durante um banho de Antônio Barros, ele chamou Cecéu e cantou: "sanfona velha do fole furado, só faz fum, só faz fum".

"Ele enrolou a toalha na cintura, sentamos na sala e saiu a música.

Um sucesso gravado por Luiz Gonzaga e Gal Costa em 1985. Foi o Trio Nordestino que mais gravou músicas de Antônio Barros e Cecéu.

Os dois não lembram exatamente quantas, mas sabem que logo em seguida está Marinês, com 102 gravações.

Os Três do Nordeste também deixam para história muitos sucessos da dupla de compositores.

"Acho que quase todo mundo da música nordestina, regional, e também da MPB, bebeu dessa fonte.

Foi uma coisa vitoriosa, porque tiramos esse rótulo.

Não existe música nordestina, existe música.

Música é universal", disse Cecéu. Dia do Compositor; Antônio Barros e Cecéu relembram momentos importantes da carreira "Depois que Elba Ramalho entrou com plumas e paetês mostrando ao povo que o nordestino tem força e garra para demonstrar o que ele faz com muito carinho, aí Antônio Barros e Cecéu saiu desse cenário de música regional, com gravações de Ney Matogrosso, Ivete Sangalo, Alcione, Fernando Mendes", diz Cecéu. Para os compositores que ainda estão no início do percurso, Cecéu pede paciência.

"Quem tem esse dom não aprendeu na faculdade.

Foi Deus.

Insista, um dia você vai conseguir fazer sucesso.

Esse mercado atual é mais movido a dinheiro, infelizmente", critica.